Destilaria Glen Scotia

Acredita-se que Campbeltown tenha sido a antiga sede do Parlamento Escocês, estabelecida pelo rei Fergus em 503AD. De fato, muitos afirmam que o local onde a destilaria Scotia foi criada, na Parliament Street, é lugar de origem da Pedra do Destino, a pedra na qual todos os monarcas escoceses foram coroados.

No extremo sul da colina de Kintyre, Campbeltown é um lugar isolado.

A destilação de whisky, provavelmente, já era ato corriqueiro na região há séculos, mas sua história oficial começa em 1609 com a concessão de uma licença para produzir “aqua vitae” a um certo John Boyel de Kelburn.

Com água em abundância, fácil acesso a turfa e grãos e um mercado crescente na Grã-Bretanha vitoriana e além, a pequena Campbeltown chegou a ter 28 destilarias em funcionamento em 1851 – um quarto das destilarias da Escócia na época – e se proclamou orgulhosamente “a capital mundial do whisky”.

Fundada simplesmente com o nome de Scotia em 1832 pela Stewart & Galbraith and Company, a destilaria funcionou por quase 60 anos antes de ser comprada, em 1891, pelo industrial Duncan MacCallum, fundador da Glen Nevis – e responsável pela construção dos malting floors que correm ao longo da High Street.

Entre a Primeira Guerra Mundial e o estabelecimento da Lei Seca nos Estados Unidos, as destilarias de Campbeltown mal conseguiam sobreviver.

Em 1919 Duncan e outros empresários fundaram a West Highland Malt Distilleries Limitada. A reunião de 6 destilarias de Campbeltown que tinham a esperança de compartilhar despesas e evitar possíveis fechamentos, cinco das seis destilarias fracassaram.

Com o fim da WHMD em 1924, Duncan comprou novamente a destilaria, tendo que fechá-la em 1928. 1930 foi um ano intenso para a Scotia, ela voltou a abrir suas portas e Duncan se suicida, atirando-se e se afogando no lago Campbeltown quando descobriu que havia perdido suas economias em um golpe.

Dizem que até hoje seu espírito assombra os corredores da destilaria.

A Scotia foi comprada, então, por Bloch Bros que adicionou ‘Glen’ ao nome no mesmo ano.

No fim, a Glen Scotia conseguiu sobreviver à Lei Seca, em 1942 teve que suspender novamente a produção – por conta da Segunda Guerra Mundial – mas voltou a destilar em 1945.

A Bloch Brothers foi adquirida pela gigante canadense Hiram Walker and Sons de Dumbarton em 1954, mas claramente a empresa não tinha interesse por Campbeltown e vendeu a destilaria no ano seguinte para a empresa de blended whiskies A. Gillies & Co. quando voltou a ser parte de um grupo, a Amalgamated Distilled Products (ADP).

De acordo com Richard Paterson, que começou sua ilustre carreira de whisky blender na A. Gillies & Co em 1966, a empresa era “uma empresa ao estilo antigo, envolvida em corretagem, “blendagem” de whisky e destilação”.

Mesmo sediada na Renfield Street em Glasgow, ela operava a Glen Scotia e um local de armazenamento e engarrafamento de whisky em Campbeltown – este último formado a partir da fusão dos armazéns desativados de Glen Nevis e Ardlussa. Suas principais marcas incluíam os blends Old Court, Scotia Royale e Royal Culross, assim como o single malt Glen Scotia.

A ADP na época era proprietária da Barton Brands. Apesar do trabalho de reconstrução no final da década de 1970, a Glen Scotia voltou a fechar em 1984.

Em 1987, Ian Lockwood, ex-diretor de marketing da ADP, liderou uma aquisição gerencial de parte do negócio e a venda incluiu a Glen Scotia, comprada pela Gibson International.

Em 1994, os interesses de uísque da Gibson foram comprados pela Glen Catrine Bonded Warehouse Ltd, que prontamente desativou a Glen Scotia mais uma vez. Funcionou de forma intermitente até 1999, quando foi comprada pela Loch Lomond Distillers e retornou à produção com capacidade máxima.

Embora um engarrafamento de 12 anos existisse, era mais fácil encontrar seu whisky através de lançamentos ocasionais de engarrafadoras independentes. Em 2012, lançaram uma nova linha, com as famosas garrafas das vacas psicodélicas.

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No ano de 2014 a Loch Lomond e a Glen Scotia foram compradas pela Exponent Private Equity formando o Loch Lomond Group.

Até hoje, a destilaria ainda mantém muito do seu design original, incluindo os mash tuns, a sala dos alambiques e o armazém estilo dunnage que remontam à década de 1830.

Eles operam com uma equipe de apenas 8 funcionários: um gerente de destilaria, um gerente assistente de destilaria, um gerente do centro de visitantes e cinco operadores de destilaria.

Seu whisky é caracterizado por um sabor salgado distinto e seu primeiro gole provavelmente será um prazer singular.

Região: Campbeltown

Fundada: 1832

Proprietária: Loch Lomond Group

Capacidade: aproximadamente 750.000 a 800.000 litros de álcool puro por ano. A produção atual é de cerca de 540.000 litros.

Fonte de água: Crosshill Loch in Campbeltown

Fermentação: 70 a 140 horas com uma média de 120 horas

Turfa: Os níveis de turfa podem variar de turfa leve – 1,0 a 20 ppm – a turfa média – 20 a 30 ppm – a turfa pesada – 30 ppm+.

Atualmente, a destilaria está usando uma turfa média de 23,5 ppm e uma turfa pesada de 54,5 ppm.

Tipo de alambique: 1 wash still com capacidade de 16.000 litros e um spirit still com capacidade de 12.000 litros. Os alambiques são todos em forma de pera, com pescoços largos e curtos. Os lyne arms são quase horizontais, o que promove muito pouco refluxo no destilado.

Graduação alcoólica do new Make: 69%

Site oficial: glenscotia.com

14 comentários sobre “Destilaria Glen Scotia

    1. Também é uma das nossas preferidas por aqui!.

      O que é mais impressionante, é que o que vemos hoje ainda não é 100% do reflexo do que o grupo Loch Lomond e o Iain McAlister (Distillery Manager) estão fazendo por lá. Desde a chegada do Iain (2009) e a nova gestão do grupo Loch Lomond (2014) os cuidados com, qualidade de barris, fermentação e inovação passaram a existir de fato. Provavelmente ainda veremos a Glen Scotia melhorando constantemente até o final dessa década!

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  1. O core range da Glen Scotia de hoje tem turfa? Tipo o Victoriana e o 18. Eu confesso que consigo identificar uma leve turfa, mas, pelo que me lembro, o engarrafamento não menciona nada.

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    1. Alguma expressões tem algum malte turfado e outra não….os rotulo altamente turfado, no entanto, são bastante recentes para a destilaria. Foi somente em 2009 que eles passaram a usar malte com especificação “heavily peated”, defumados a aproximadamente 55 PPM. Antes disso o malte mais turfado utilizado na destilaria ficava ao redor de 30 PPM.

      E você tem razão, a destilaria não costuma ser muito clara sobre a presença de turfa.

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    2. Do core range somente o Victoriana tem 10% de malte levemente turfado na composição. O Double Cask, 15 e 18 não têm nada de turfa. Isso segundo o Iain Macallister, então acho que deve ser informações precisas

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  2. Excelente material e ótimos textos. Uma dúvida, porém: alambiques em formato cebola com pescoços largos e curtos não promoveriam menos refluxo dando origem a um destilado mais pesado? Abraços!

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  3. Muito bom o texto, é muito legal “beber” todas estas curiosidades por trás de um dos rótulos que mais me surpreendeu neste final de ano, o DC.
    E ainda despertou bastante curiosidade para experimentar o Victoriana.
    Poderia sair um artigo dele né ?

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