Minha primeira viagem à Escócia veio muito antes da minha obsessão pelos whiskies. Em 2019 a mosquinha dos single malts já tinha me picado e sempre havia algo no armário para acompanhar momentos especiais. Naquele momento meu conhecimento sobre os destilados se restringia às grandes marcas presentes nas prateleiras de supermercados e aeroportos. Minha “nerdice” se concentrava nas cervejas e, cada viagem era uma grande desculpa para visitar micro cervejarias ou cervejarias locais.
E foi nessa viagem que visitei minha primeira destilaria quando, na ilha de Skye, fiz um tour seguido de uma degustação na Talisker. Essa experiencia completou várias caixinhas da jornada de whiskies de uma vez só: provei um new make spirit, um whisky cask strength (não diluído) e uma edição exclusiva da destilaria. E nessa pequena jornada pelas Highlands veio, também, uma paixão por um país absolutamente fantástico.
Depois da viagem de 2019 uma bebida que eu gostava tinha se transformado num hobby e, em 2023, eu fazia minha terceira incursão pela Escócia e com um destino em mente: as partes Norte e Oeste das Highlands, de olho em 3 destilarias que vem me impressionando muito: Ardnamurchan que se destaca mesmo com seu destilado jovem, Ben Nevis, que surpreende por um perfil bastante único e vê boa parte de seu precioso líquido nos blends da japonesa Nikka e a Balblair.
Entre as mais de 130 destilarias ativas da Escócia somente 9 foram fundadas nos anos 1700 e entre elas está a Balblair, atualmente a quarta destilaria mais velha do país, fundada em 1790. Ela é relativamente pequena mas que tem um destilado maltoso, levemente herbal e com caráter sutilmente adocicado.
Pertencente ao grupo Inver House (mesma dona das destilarias Pulteney, Knockdhu, Speyburn e Balmenach) a Balblair é uma operação bastante tradicional também nos seus métodos, especialmente em sua maturação, que é feita em sua maioria nos armazéns do tipo dunnage, que tem menor empilhamento e piso parcialmente de terra e que permitem uma envelhecimento muito especial. Esses armazéns tem umidade alta e tendem a ficar bem mais frios durante o ano, o que faz com que o whisky mature de uma forma única.
O Balblair 12 anos é uma expressão totalmente maturada em barris de carvalho americano. Numa combinação de barris de dupla torra e ex-bourbon de primeiro uso e reuso. Os whiskies da destilaria são sempre engarrafados no teor alcoólico de 46% ou superior e tem coloração natural.
Mas vamos à degustação….
Balblair 12

Categoria: Single Malt
País: Escócia
Região: Highlands (Norte)
Idade: 12 anos
Barris: Combinação de barris de carvalho americano
ABV: 46%
Filtragem à frio: não
Corante: não
Aromas:
Os aromas começam com creme de baunilha, suspiro, raspas de limão, um adocicado que lembra biscoito amanteigado e granola, peras maduras e complementado por um toque floral.
Sabor:
Na boca há uma excelente correspondência com as notas presentes no olfato, com a casca de limão ganhando um pouco mais de potência. A percepção de grão, como a granola, entra um pouco mais numa nota maltada. Um leve e agradável aquecimento alcoólico faz parte de cada gole e, combinado com uma textura interessante preenche a boca.
Finalização:
Na finalização o Balblair se sai bem mais uma vez e entrega uma boa correspondência com a experiencia de aroma e sabor, com as notas de baunilha, creme e limão em evidência. O final do gole trás uma leve secura que faz com que o próximo gole seja inevitável.

Nota: 82
Um whisky despretenciosamente bom
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Mas e aí?
Uma curiosidade sobre a Balblair é que ela está a menos de 10km de distância da Glenmorangie, o que faz com que o Balblair 12 tenha o mesmo terroir, tipo de maturação e idade similar ao Glenmorangie 10. Embora os alambiques das destilarias tenham formato bem diferentes entre si, na minha opinião são whiskies que representam um mesmo estilo. E esse se torna um ótimo exemplo da diferença que o ABV um pouco maior e ausência de filtragem a frio faz na experiencia, com textura e uma finalização mais longa e complexa.
